A condenação do ex-vereador Francisco Sales e outras lideranças, que lutam por justiça contra a Braskem, tem provocado forte reação de indignação entre movimentos sociais, lideranças comunitárias e vítimas do afundamento do solo em Maceió. A decisão foi proferida pelo juiz José Afrânio dos Santos Oliveira, titular da 29ª Vara Cível da Capital.
Sentença foi em decorrência de uma manifestação realizada contra a Braskem em dezembro de 2021. O protesto ocorreu em frente à sede da mineradora e reuniu moradores atingidos pelo desastre socioambiental, além de lideranças políticas e religiosas que cobravam responsabilização e reparação pelos danos causados em bairros inteiros da capital alagoana.
Para Francisco Sales, a condenação representa uma tentativa de silenciar quem sempre esteve ao lado da população atingida. Segundo ele, a manifestação teve caráter pacífico e foi motivada pelo sofrimento das famílias desalojadas.
“Eu não estava ali por interesse pessoal ou político. Estava ao lado das vítimas, exercendo um direito garantido pela Constituição. Protestar contra um crime ambiental que destruiu bairros inteiros não pode ser tratado como crime. Crime é o que foi feito com essas famílias”, afirmou o ex-vereador.
Sales destacou ainda que a decisão judicial causa preocupação por atingir diretamente o direito à livre manifestação e à mobilização social. “Essa condenação não atinge só a mim, mas a todos que acreditam na justiça social e no direito de lutar por dignidade. Não vou me calar”, completou.
O caso reacende o debate sobre os impactos do desastre provocado pela mineração em Maceió e o tratamento dado às vítimas e às lideranças que cobram respostas do poder público e da empresa responsável. Para entidades e movimentos sociais, a decisão judicial cria um precedente perigoso ao penalizar quem denuncia injustiças e reforça o sentimento de impunidade em relação aos responsáveis pelo desastre.
Mesmo diante da condenação, Francisco Sales afirma que continuará defendendo as famílias atingidas. “A luta por justiça não termina em uma sentença. Ela continua enquanto houver pessoas sem casa, sem respostas e sem reparação”, concluiu.
Além de Francisco Sales, também foram condenados o deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT), o pastor Wellington, da Igreja Batista do Pinheiro, o empresário Alexandre Sampaio, o padre Walfran Fonseca e o babalorixá Pai Célio Rodrigues.



