O Quebra de Xangô de 1912 marcou um dos episódios mais violentos e dolorosos da história de Maceió, quando milícias invadiram e destruíram terreiros, queimaram objetos sagrados e perseguiram líderes religiosos. O ataque representou uma tentativa de apagar as religiões de matriz africana em Alagoas, mas a fé e a resistência do povo de terreiro sobreviveram ao silêncio imposto.
Mais de um século depois, o episódio segue como símbolo de luta e memória. “O Quebra de Xangô ocorreu em 1912, mas não podemos esquecer que, ainda hoje, terreiros continuam sendo perseguidos e fechados, e Iyalorixás e Babalorixás são obrigados a se mudar por causa do preconceito. Isso precisa acabar. Terreiro de Candomblé é solo sagrado e deve ser respeitado. Hoje, contamos com o amparo das leis e, em muitos casos, com a atuação da polícia em nossa defesa, mas ainda há um longo caminho a percorrer.”, diz o Babalorixá Manoel do Xoroquê, líder religioso do Ilê Axé Legionirê Nitô Xoroquê.
Como resposta ao apagamento, a Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) realiza anualmente o Xangô Rezado Alto, um evento que celebra a sobrevivência das tradições afro-brasileiras e reafirma o direito à liberdade religiosa. A edição deste ano acontece em 21 de março, construída em diálogo com as lideranças de terreiro.
“O Xangô Rezado Alto é mais que um evento cultural. É um ato de reconhecimento, escuta e respeito ao povo de santo”, destaca Myriel Neto, presidente da FMAC. Hoje, os tambores que tentaram calar em 1912 seguem batendo, como voz, memória e resistência.



