A Polícia Federal aponta que o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, teria atuado diretamente em um esquema de fraude em concursos públicos, com cobrança de valores altos, uso de intermediários e até coação de envolvidos.
Segundo delações premiadas, ele é citado como líder da organização criminosa e responsável por dar ordens para a execução das fraudes. Um dos depoimentos afirma que o delegado teria mandado um policial civil pressionar um integrante do grupo a participar do esquema.
As investigações indicam que o grupo era estruturado, com divisão de funções. Policiais civis seriam usados como intermediários para repassar ordens e manter contato com os executores das fraudes.
O esquema teria atuado em diversos concursos, incluindo o Concurso Nacional Unificado (CNU), seleções das Polícias Civis de Alagoas e Pernambuco, além de provas da Universidade Federal da Paraíba, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
De acordo com a PF, candidatos pagavam para garantir aprovação. Em um dos casos, o valor teria chegado a R$ 500 mil.
A fraude foi identificada após análise de gabaritos, que apontou respostas idênticas entre candidatos, além de padrões suspeitos, como provas realizadas longe da cidade de origem e participação de pessoas com vínculos próximos.
Pelo menos 16 pessoas teriam sido beneficiadas.
A Justiça Federal autorizou buscas e apreensões contra os investigados, mas negou os pedidos de prisão. O caso segue em investigação, e a defesa dos citados ainda não se manifestou.



