A maior parte dos trabalhadores com carteira assinada no Brasil ainda cumpre jornadas superiores a 40 horas semanais. Segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), cerca de 35 milhões de empregados formais trabalham entre 41 e 44 horas por semana, o equivalente a 58,3% do mercado CLT em 2025.Apesar de ainda representar a maioria, o percentual caiu nos últimos anos. Em 2017, os trabalhadores submetidos a jornadas acima de 40 horas correspondiam a 66,5% do total. No mesmo período, o emprego formal cresceu 29%, enquanto o contingente nessa faixa de carga horária aumentou 13,7%.O grupo que mais avançou entre 2017 e 2025 foi o de profissionais com jornadas entre 31 e 40 horas semanais. Nessa faixa, o crescimento foi de 75%, indicando uma tendência gradual de redução da carga horária no mercado formal.Os dados foram divulgados em meio às discussões sobre a PEC que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima para 40 horas semanais. Atualmente, a Constituição prevê limite de 44 horas por semana e até oito horas diárias de trabalho. O texto em debate na Câmara prevê dois dias de descanso semanal remunerado e uma possível transição para jornadas de 42 horas em 2027 e 40 horas em 2028.Segundo especialistas, a redução gradual da jornada já vem sendo percebida em parte do mercado. Empresas têm buscado escalas menores para reduzir rotatividade, afastamentos e custos operacionais, além de ampliar a atração de trabalhadores. Estudo do Ipea aponta ainda que profissionais submetidos a jornadas de 44 horas semanais recebem, em média, salários 57,7% menores do que aqueles que trabalham 40 horas.


