A Polícia Federal afastou a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14), por suspeita de vazamento de informações sigilosas para o grupo investigado no caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Moura Vorcaro.Segundo decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), as investigações indicam que a delegada teria atuado como fonte interna de dados estratégicos para a organização conhecida como “A Turma”. O magistrado afirma que a atuação dela “ultrapassa mera proximidade com investigados”, apontando participação relevante no fornecimento de informações reservadas.De acordo com a PF, Valéria acessou sem autorização funcional um inquérito conduzido pela Superintendência Regional da corporação em São Paulo, apesar de estar lotada há quase duas décadas na Delegacia Fazendária em Minas Gerais, sem vínculo com a investigação. As consultas teriam sido realizadas com auxílio do marido, o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva, por meio do sistema e-Pol.Ainda segundo os investigadores, as informações obtidas eram encaminhadas a Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional do núcleo investigado, e posteriormente compartilhadas entre integrantes da organização. A suspeita é de que os dados eram utilizados para monitorar investigações em andamento e antecipar ações policiais.Com base nos indícios, o STF autorizou o afastamento preventivo da delegada, além da proibição de acesso às dependências da Polícia Federal e de contato com outros agentes da corporação.A Operação Compliance Zero é coordenada pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF e investiga suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, invasão de dispositivos eletrônicos e violação de sigilo funcional. Nesta etapa, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.


