A hipertensão arterial, tradicionalmente associada aos idosos, tem atingido cada vez mais crianças, adolescentes e adultos jovens, acendendo um alerta entre especialistas em saúde cardiovascular. O avanço da chamada “assassina silenciosa” preocupa médicos e entidades da área, principalmente diante do crescimento de hábitos considerados nocivos entre a população mais jovem, como sedentarismo, obesidade e alimentação rica em ultraprocessados.Um estudo publicado pela revista científica The Lancet revelou que o número de jovens de até 19 anos com hipertensão praticamente dobrou nas últimas duas décadas. Em 2000, essa faixa etária representava cerca de 3,2% dos casos no mundo; em 2020, o índice saltou para aproximadamente 6,2%. Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Cardiologia passou a recomendar avaliações cardiovasculares precoces já a partir dos 20 anos.Segundo o cardiologista Rafael Domiciano, coordenador de cardiologia do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, a hipertensão costuma evoluir sem sintomas em até 90% dos casos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando aparecem, os sinais podem incluir dores de cabeça, tontura, fadiga excessiva e dores na nuca. Sem tratamento adequado, a doença pode aumentar significativamente os riscos de infarto, AVC, problemas renais, aneurismas e até demência.Especialistas reforçam que a prevenção depende principalmente da mudança no estilo de vida, com prática regular de exercícios físicos, controle do peso e alimentação saudável. Estudos da American Heart Association indicam que cada 10 quilos ganhos podem elevar a pressão arterial em até 20%. Com a chegada do Dia Mundial da Hipertensão, celebrado em 17 de maio, médicos defendem mais conscientização e acompanhamento médico regular para evitar que a doença continue avançando silenciosamente entre os mais jovens.


