Um levantamento parcial do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), realizado a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou que 17,6% dos policiais do Bope que participaram da Operação Contenção retiraram deliberadamente as câmeras corporais durante a ação. Além disso, 7,8% dos agentes analisados teriam obstruído as gravações.A investigação examinou imagens de 51 policiais do Bope, mas o MPRJ informou que a apuração ainda não foi concluída. Isso porque o material total ultrapassa 3.600 horas de gravação e envolve mais de 2 mil agentes que participaram da operação.De acordo com o órgão, as câmeras do Bope foram analisadas primeiro devido à forte atuação da corporação na região de mata próxima ao Complexo do Alemão, onde foi encontrada a maior parte dos corpos. Até o momento, 82,4% das análises indicaram uso adequado dos equipamentos, enquanto 11,8% das imagens mostraram pessoas feridas.A Operação Contenção ficou marcada como a mais letal da história do Rio de Janeiro, com 121 mortes, sendo 117 civis e quatro policiais. Apesar da mobilização de mais de 2 mil agentes e da prisão de 113 pessoas, o principal alvo da ação, o traficante Doca, conseguiu fugir.


