A deputada federal Marina Silva (Rede-SP) saiu em defesa da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) nesta sexta-feira (3), após a parlamentar relatar uma série de ataques e ameaças nas redes sociais. Em publicação no X, Marina afirmou que a violência contra mulheres na vida pública não pode ser normalizada e declarou que, “quando uma mulher na vida pública é alvo de agressões e tentativas de silenciamento, todas nós somos atingidas”. O posicionamento ocorre em meio ao racha envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).Na mensagem, Marina reforçou que “nada justifica que uma mulher seja atacada, desqualificada ou constrangida por ser mulher” e afirmou que a misoginia, “venha de onde vier e atinja quem atingir”, deve ser combatida por todos que defendem a democracia, o respeito e a dignidade humana. A manifestação chamou atenção por reunir, em defesa da senadora bolsonarista, uma parlamentar de um campo político oposto.Os ataques contra Damares ganharam força nos últimos dias, após a senadora revelar, durante sessão da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que ela e sua filha indígena passaram a receber ameaças e ofensas nas redes sociais. Segundo a parlamentar, sua honra foi atingida por informações falsas, além da divulgação de montagens que simulavam a morte da filha. Damares afirmou ainda ter sido chamada de “leviana”, “vagabunda” e “adúltera”, além de ser alvo de rumores sobre um suposto relacionamento com um pastor.A escalada das críticas ocorre no contexto da crise interna no bolsonarismo. Aliada de Michelle Bolsonaro, Damares passou a ser alvo de ataques de influenciadores ligados aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, como Paulo Figueiredo e Oswaldo Eustáquio, após demonstrar cautela sobre um convite feito por Flávio Bolsonaro para participar de um evento voltado às mulheres conservadoras. O episódio aprofundou as divisões no grupo político e ampliou o debate sobre a violência contra mulheres na esfera pública.


