A Justiça de Alagoas aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPAL) e tornou réus nove investigados por integrar um suposto esquema de estelionato que prometia facilitar o acesso a imóveis de programas habitacionais da Prefeitura de Maceió. Segundo a investigação, 83 pessoas foram vítimas da fraude, acumulando um prejuízo de R$ 481.972.A denúncia, oferecida pela 2ª Promotoria de Justiça da Capital e assinada pelo promotor José Carlos Castro, foi recebida pela 4ª Vara Criminal, que determinou a abertura da ação penal pelos crimes de estelionato, associação criminosa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.De acordo com o Ministério Público, o grupo afirmava ter influência junto à Secretaria Municipal de Habitação e prometia garantir a contemplação em programas habitacionais mediante pagamento. Para convencer as vítimas, os investigados diziam que poderiam assegurar prioridade na seleção, escolha do andar do imóvel e entrega da unidade em até três meses.Ainda segundo a denúncia, os acusados orientavam os interessados a realizar cadastro no CadÚnico, apresentavam formulários com aparência oficial e exibiam fotografias de supostos beneficiários para conferir credibilidade ao esquema. Os pagamentos eram feitos pelas vítimas acreditando que seriam contempladas, mas nenhuma delas recebeu imóvel.As investigações apontam que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas entre captação de vítimas, recebimento dos valores e movimentação financeira. O dinheiro obtido, segundo o MPAL, era pulverizado em contas bancárias de terceiros por meio de transferências via PIX, estratégia que teria sido utilizada para dificultar o rastreamento dos recursos e ocultar sua origem.Caso sejam condenados, os réus poderão cumprir penas que, somadas, podem chegar a 20 anos de prisão, além da obrigação de ressarcir os prejuízos causados às vítimas.Atualmente, dois investigados permanecem presos, sendo que um deles era considerado foragido e teve a prisão preventiva decretada. Os demais respondem ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares, como comparecimento periódico à Justiça e proibição de contato entre os acusados.A Justiça também determinou o bloqueio de bens dos investigados para garantir eventual reparação financeira às vítimas. O Ministério Público informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa, que ainda não foram localizados.


