A rejeição, por 42 votos a 34, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado Federal do Brasil abriu uma nova frente de tensão política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a vaga ainda em aberto, cresce a pressão para que o Planalto apresente rapidamente um novo nome, em meio a divergências internas sobre a melhor estratégia diante do cenário eleitoral.Em meio à indefinição, o Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário lançou um manifesto assinado por 524 magistrados e magistradas defendendo que a próxima indicação seja de uma mulher, preferencialmente negra. O grupo destaca que a atual composição do STF reflete uma desigualdade histórica: dos dez ministros, apenas Cármen Lúcia é mulher. Segundo o documento, a ausência de mulheres negras nos tribunais superiores evidencia a urgência de uma política mais inclusiva nas nomeações.O manifesto também reforça que a questão vai além da representatividade, apontando para a necessidade de incorporar diferentes experiências e perspectivas no Judiciário. Para os signatários, ampliar a diversidade no STF fortaleceria a legitimidade da Corte e contribuiria para uma Justiça mais democrática e alinhada à realidade da população brasileira.Nos bastidores do governo, a indecisão permanece. Uma ala defende deixar a cadeira vaga para evitar nova derrota no Senado, enquanto outra aposta na indicação de uma mulher negra como forma de pressionar a oposição. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que chegou a apoiar o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), afirmou à bancada oposicionista que a escolha final poderá ficar para depois das eleições de outubro, ampliando ainda mais o impasse.


