A política alagoana sempre conviveu bem com o improviso, mas raramente com o deboche vindo de fora do sistema. É justamente aí que entra Carlinhos Monteiro. Influenciador digital, comunicólogo, publicitário e observador atento do cotidiano político, ele deixou de ser apenas um criador de conteúdo bem-humorado para se tornar um elemento real de inquietação nos bastidores das eleições de 2026.
Com mais de 100 mil seguidores, Carlinhos ocupa um espaço que marqueteiros tradicionais ainda tentam decifrar: o da comunicação direta, espontânea e sem verniz. Enquanto estruturas políticas gastam cifras milionárias para parecer populares, ele constrói engajamento orgânico, usando o humor como linguagem e a política como matéria-prima. O riso, nesse caso, não é distração, é crítica social disfarçada de entretenimento.
Institutos de pesquisa, analistas de comportamento eleitoral e profissionais que “ouvem o povo” fora das planilhas chegam a uma constatação comum: há fadiga com os mesmos nomes, os mesmos discursos e os mesmos métodos. Para quem já ocupa cadeiras no Senado, na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa, o cenário de 2026 começa a desenhar não apenas uma disputa difícil, mas uma derrota simbólica, a de não conseguir mais se comunicar com o eleitor comum.
Carlinhos Monteiro surge exatamente nesse vácuo. Natural de Passo de Camaragibe, no litoral Norte de Alagoas, ele traduz em vídeos curtos e ironias precisas aquilo que boa parte do eleitor pensa, mas não encontra eco no discurso oficial. Em sua página, o aviso é simples e eficaz: política com humor, histórias e personagens que parecem exagero, mas são puro retrato da realidade local.
O fenômeno vai além das redes. Recentemente, Carlinhos conseguiu algo que poucos políticos tradicionais alcançam: reunir, no mesmo ambiente, figuras da sociedade e da política alagoana, não por obrigação institucional, mas por curiosidade, simpatia e interesse genuíno. Um sinal claro de que sua influência já ultrapassou o universo digital.
A essa altura, a pergunta deixou de ser brincadeira e passou a circular com seriedade nos corredores do poder: Carlinhos Monteiro pretende disputar uma eleição? E, se sim, qual espaço ocuparia, uma das vagas ao Senado, uma cadeira na Câmara Federal ou um assento na Assembleia Legislativa? Em Alagoas, onde o eleitor historicamente gosta de surpreender, o improvável costuma ganhar força justamente quando ninguém leva a sério.
Se o humor é a porta de entrada, a política pode ser o próximo passo. E, para uma classe política acostumada a rir de si mesma apenas em privado, talvez não haja nada mais perigoso do que alguém que faça o povo rir e pensar ao mesmo tempo.



