Um estudo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aponta que a pandemia de covid-19 provocou um aumento expressivo nas mortes relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas no Brasil. A pesquisa foi coordenada pelo professor Márcio Bezerra, do campus Arapiraca, e analisou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) entre 2015 e 2022.
Os resultados indicam crescimento de 18,3% nos óbitos em 2020, 22,4% em 2021 e 26% em 2022, em comparação ao número esperado para o período. Apenas nesses três anos, foram registradas mais de 25,9 mil mortes acima da estimativa. No total, o país contabilizou 178 mil mortes associadas ao uso de substâncias psicoativas no intervalo analisado, sendo mais de 80% ligadas ao consumo de álcool.
Os pesquisadores classificam o cenário como uma “epidemia colateral” da pandemia, impulsionada pelo isolamento social, crise econômica e interrupções nos serviços de saúde mental. Segundo Márcio Bezerra, houve aumento alarmante das taxas em todos os estados, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental e à redução de danos em períodos de crise.
A pesquisa foi publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas e identificou que Nordeste, Sudeste e Sul concentraram os maiores aumentos proporcionais, com destaque para Pernambuco, Amapá e Tocantins. Antes de 2020, algumas regiões apresentavam estabilidade ou queda nas taxas, cenário que mudou após a declaração da pandemia pela OMS.


