Após meses foragido, um professor de 46 anos foi capturado nesta quinta-feira (8) pela Polícia Civil do Espírito Santo, sob graves acusações de estupro de vulnerável, assédio e exploração sexual. O suspeito, que atuava na rede pública de ensino na Grande Vitória, estava com a prisão preventiva decretada desde abril de 2025. O esquema criminoso consistia em utilizar sua autoridade pedagógica para aliciar estudantes, oferecendo melhorias no desempenho escolar, quantias em dinheiro via Pix, variando entre R$ 30 e R$ 50, além de presentes, como pranchas de surfe, em troca de material pornográfico e favores sexuais.
O modus operandi do investigado era meticuloso e focado em vulnerabilidades: ele selecionava majoritariamente meninos entre 10 e 16 anos que apresentavam baixo rendimento escolar. Segundo as autoridades, o assédio ocorria inicialmente nos intervalos e recreios das escolas em Serra e Vila Velha. Mesmo após deixar de lecionar em determinadas unidades, o docente mantinha o cerco contra os jovens através de redes sociais. A perícia em seus aparelhos eletrônicos revelou um arquivo perturbador, onde o professor organizava o material ilícito em pastas separadas pelas iniciais das instituições e das vítimas, evidenciando um padrão de consumo assíduo de sites de exploração sexual infantil.
Relatos colhidos pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) expõem um cenário de coerção e terror psicológico. Em um dos casos, um adolescente de 12 anos foi chantageado após ser flagrado usando o celular em sala de aula; em vez de aplicar uma medida disciplinar, o professor o obrigou a acessar sites de pedofilia sob ameaça de represálias contra sua família. “Eu sei onde você mora”, dizia o agressor, que chegou a seguir o menino até o banheiro para praticar atos de importunação física. A mudança no comportamento do jovem alertou a família, que descobriu o conteúdo criminoso no aparelho do filho.
A derrocada do esquema começou em novembro de 2024, quando a mãe de uma amiga de um dos alunos interceptou conversas suspeitas e denunciou o caso à direção escolar. A delegada Thais Cruz destacou que, além das vítimas que já procuraram a delegacia, o material apreendido sugere a existência de uma rede muito mais ampla de abusos. “Há indícios claros de que o número de vítimas reais é superior ao que foi formalizado até agora”, afirmou a delegada, reforçando que as imagens armazenadas pelo suspeito servem como prova técnica irrefutável de sua conduta predatória.
Com a prisão efetuada, o inquérito entra em fase de conclusão, enquanto a Polícia Civil continua a análise dos dispositivos para identificar e acolher outras possíveis vítimas. O caso reacende o debate sobre a segurança nos ambientes escolares e a necessidade de canais de denúncia robustos dentro da rede pública. O professor permanece à disposição da Justiça capixaba, enfrentando penas que, somadas, podem ultrapassar décadas de reclusão.


