A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos ligados ao narcoterrorismo provocou forte reação do PT. Em nota divulgada nessa quinta-feira (28), o líder da bancada petista na Câmara, Pedro Uczai (SC), acusou integrantes da família Bolsonaro de atuar junto ao governo norte-americano de forma que, segundo ele, coloca em risco a soberania brasileira.No comunicado, Uczai direcionou críticas principalmente aos parlamentares Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O deputado afirmou que a aproximação dos bolsonaristas com autoridades ligadas ao presidente Donald Trump teria incentivado uma resposta considerada “ideológica” dos Estados Unidos, em contraste com o modelo de cooperação internacional defendido pelo governo Lula.O líder petista argumentou que o Brasil já defende mecanismos de combate ao crime organizado baseados em troca de informações, rastreamento financeiro, repatriação de recursos e captura de foragidos. Segundo ele, a classificação das facções pode produzir reflexos econômicos, com possíveis restrições financeiras e impactos sobre empresas e instituições brasileiras que venham a ser associadas, direta ou indiretamente, a operações ligadas ao crime organizado.Na mesma nota, Uczai também alertou para o que classificou como risco de ingerência externa e possíveis medidas coercitivas por parte dos Estados Unidos sob o argumento de combate ao terrorismo. O posicionamento do PT foi divulgado após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciar a designação do PCC e do CV como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e informar que a inclusão formal das facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras deverá entrar em vigor no próximo dia 5 de junho.



