O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), reuniu correligionários nesta quarta-feira (21) em um encontro marcado por queixas sobre o momento “difícil” enfrentado no Legislativo. Nos últimos dias, Motta viu sua gestão ser desafiada por um motim que paralisou votações em plenário por mais de 30 horas e pela derrota do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), preterido do cargo de relator da CPMI do INSS.
Segundo interlocutores, os parlamentares reafirmaram apoio a Motta, mas admitiram que a bancada sentiu o impacto da perda de Ayres na comissão. O grupo avalia alternativas para fortalecer a atuação do presidente e discute quais pautas podem contribuir para recuperar o controle político da Casa. Há, no entanto, divergências internas sobre os caminhos a serem seguidos.
O episódio mais crítico ocorreu em 4 de agosto, quando deputados bolsonaristas ocuparam o plenário em protesto contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ação impediu votações e levou parlamentares a se revezarem na cadeira da presidência, em tom de resistência até eventual intervenção da Polícia Legislativa.
Hugo Motta só conseguiu retomar o comando da Câmara após a mediação de Arthur Lira (PP-AL), seu antecessor, que articulou acordo com o Centrão e a oposição para desobstruir o plenário. Mesmo assim, o retorno ao cargo ocorreu em meio a dificuldades e pressões, evidenciando o clima de instabilidade que marca os primeiros seis meses de sua gestão.



