O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda se reunir com o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasília e Buenos Aires após declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).Antes de um eventual encontro com o presidente, Bitelli deverá se reunir, na quarta-feira (29), com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O objetivo é apresentar uma análise sobre os desdobramentos da crise e seus possíveis impactos nas relações entre os dois países.A convocação do embaixador foi determinada por Mauro Vieira com o aval de Lula. Segundo fontes da diplomacia, o chanceler conversou com o presidente por telefone logo após retornar ao Brasil, no domingo (26), vindo de uma viagem oficial às Filipinas, quando recebeu autorização para adotar a medida.A decisão foi motivada pelas declarações feitas por Milei durante a convenção que oficializou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), realizada no último sábado (25).Nos bastidores, integrantes do governo classificam o episódio como um dos momentos mais delicados da relação entre Brasil e Argentina nos últimos anos. A avaliação é de que a crise não tem precedentes nos 203 anos de relações diplomáticas entre os dois países.Após receber o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, o Itamaraty divulgou uma nota oficial criticando as falas de Milei.”Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores.Esta é a segunda vez que Júlio Bitelli é chamado a Brasília desde o início do governo Milei. Em 2024, ele participou de uma consulta sobre a deterioração das relações bilaterais, mas, segundo o Itamaraty, a iniciativa teve caráter menos formal. Desta vez, integrantes do governo consideram que a convocação reflete a maior gravidade da atual crise diplomática.


