Toda geração cria seus filhos tentando corrigir os erros da anterior. Quem cresceu sentindo falta de presença busca estar em todos os momentos. A intenção é a melhor possível.Mas, muitas vezes, na tentativa de compensar a ausência, acabamos exagerando na intervenção.Nossos pais nos ensinaram responsabilidade, limites e autonomia. Nem sempre estavam presentes, mas nos preparavam para enfrentar o mundo. Hoje, estamos mais presentes, porém, em alguns casos, temos dificuldade em permitir que nossos filhos vivam frustrações, assumam responsabilidades e aprendam com os próprios erros.Essa mudança aparece em casa, na escola e, de forma muito clara, no esporte. Arquibancadas que deveriam ser espaços de incentivo acabam se transformando em ambientes de cobranças, discussões e pressão. O jogo deixa de ser das crianças e passa a ser dos adultos.Apoiar não é controlar. Proteger não é impedir que o filho enfrente desafios.Educar sempre será encontrar o equilíbrio entre presença e autonomia, entre acolhimento e limites.Se a ausência marcou muitas famílias no passado, o excesso de interferência pode ser um dos grandes desafios da atualidade.No fim, o objetivo continua o mesmo: formar adultos capazes de caminhar com responsabilidade, equilíbrio e independência.


