Uma operação conjunta do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil foi deflagrada nesta quarta-feira (16) para desarticular uma organização suspeita de lavar mais de R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas. Batizada de Operação Hawala, a ação resultou na prisão de dez pessoas e mira uma estrutura financeira que, segundo as investigações, atendia integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), além de ocultar recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).As investigações também identificaram uma possível ligação internacional entre uma empresa vinculada ao grupo e uma pessoa sancionada pelo governo dos Estados Unidos por suspeita de integrar uma rede de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. A Polícia Civil informou que essa linha de investigação será aprofundada a partir da análise do material apreendido durante a operação.Ao todo, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou 22 pessoas pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além dos dez mandados de prisão, foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Também houve determinação judicial para bloqueio de contas bancárias, bens e participações societárias dos investigados.Segundo o Ministério Público, a organização utilizava empresas de fachada, pessoas interpostas (laranjas), depósitos fracionados e alterações societárias para ocultar a origem dos recursos. A estrutura seria comandada por empresários de origem libanesa e movimentou valores incompatíveis com a capacidade financeira dos investigados entre 2021 e 2024.As apurações começaram a partir de investigações sobre o tráfico de drogas no Morro de São Carlos, na região central do Rio. Durante o cumprimento de mandados na comunidade, houve troca de tiros entre policiais e criminosos, mas não foram divulgadas informações sobre feridos.Entre os presos está Bárbara Luzia Souza de Carvalho, apontada como uma das principais operadoras financeiras do grupo. Também foram denunciados os empresários libaneses Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun, além de contadores e outros integrantes suspeitos de dar aparência de legalidade às empresas usadas no esquema.De acordo com os investigadores, parte da estrutura financeira operava na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, área monitorada por autoridades internacionais por suspeitas de atividades relacionadas à lavagem de dinheiro e ao financiamento de organizações criminosas e terroristas.O Ministério Público informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes da organização, localizar novos ativos e aprofundar a cooperação com órgãos nacionais e internacionais no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.


