Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem usar o julgamento da ação que tem o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como réu, marcado para a próxima terça-feira, para enviar recados sobre a atuação de integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-parlamentar é acusado de articular sanções a autoridades brasileiras junto ao governo de Donald Trump.A Primeira Turma do STF é integrada pelos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, além de Moraes. Foi o mesmo grupo que condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão. A previsão de integrantes da Corte ouvidos pelo GLOBO é que as críticas devem ser semelhantes às feitas na abertura daquele julgamento, quando se destacou que não se admitia “qualquer ingerência interna ou externa na independência do Poder Judiciário”.A declaração ocorreu na esteira do tarifaço anunciado por Trump sobre produtos brasileiros e da aplicação de sanções econômicas previstas na Lei Magnitsky. Agora, o julgamento de Eduardo ocorre em um novo momento de tensões com o governo dos EUA.Na mesma sessão daquele julgamento, Moraes ressaltou, sem citar Eduardo Bolsonaro, que, ao longo da tramitação da ação que tinha o ex-chefe do Executivo como réu, “se constatou a existência de condutas dolosas e conscientes de uma verdadeira organização criminosa” que “passou a agir de maneira covarde e traiçoeira com a finalidade de tentar coagir o Poder Judiciário e submeter o funcionamento da Corte ao crivo de outro Estado estrangeiro”.A Procuradoria-Geral da República acusa Eduardo de trabalhar para articular sanções contra autoridades brasileiras, incluindo tarifas de exportação anunciadas no ano passado, além da suspensão de vistos de integrantes do STF e do atual governo e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes.


