Justiça social
Redução da fome é resultado da integração entre diferentes áreas do poder público
O Brasil completa neste mês um ano desde que deixou o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), resultado alcançado após reduzir para menos de 2,5% a parcela da população em risco de subnutrição. Apesar do avanço, o país ainda convive com cerca de 6,5 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave, cenário que especialistas apontam como um dos principais desafios para consolidar a conquista.Pesquisadores defendem que a permanência do Brasil fora do Mapa da Fome depende da continuidade e do aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas à geração de emprego e renda, educação, saúde, saneamento básico e segurança alimentar. Segundo Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, a redução da fome é resultado da integração entre diferentes áreas do poder público e exige ações permanentes para evitar retrocessos.De acordo com a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Valéria Burity, o objetivo é transformar o acesso à alimentação adequada em um direito efetivamente garantido a toda a população. Entre as iniciativas apontadas como decisivas para a redução da fome estão o Plano Brasil Sem Fome, o fortalecimento da agricultura familiar, a ampliação das cozinhas comunitárias, os reajustes na alimentação escolar e a expansão das políticas de proteção social.Especialistas também atribuem a melhora dos indicadores à queda do desemprego, à valorização do salário mínimo, ao fortalecimento do Bolsa Família e à desaceleração dos preços dos alimentos nos últimos anos. Ainda assim, alertam que a manutenção desses resultados dependerá da continuidade das políticas públicas e de um mercado de trabalho aquecido, para que o país consiga reduzir ainda mais os índices de insegurança alimentar e evitar o retorno ao Mapa da Fome.


